Blog

FALANDO UM POUCO MAIS SOBRE NEUROPEDAGOGIA

                                             

 

    A  importância do estudo em Neuropedagogia.

            Sabe-se que etimologicamente a palavra, pedagogia, é união de palavras gregas, paidós que é criança e agoge que é conduzir, portanto, pedagogo é aquele que conduz a criança, remetendo aos tempos em que os tutores, os pedagogos encaminhavam as crianças de seus patrões, senhores aos estudos a quem iria ministrar aula, ensinamentos. Esse primeiro parágrafo é sobretudo para nos lembrar da importância daquele conduz ao saber, ao conhecimento. Não apenas aos Pedagogos, mas todos os outros professores, independente de sua área.

            O ensino brasileiro passa por situações que exigem soluções incisivas e eficazes. Entre todas as tendências pedagógicas brasileiras, vivemos hoje um cenário onde a busca por informações e atualizações sobre as práticas pedagógicas tem crescido imensamente. Isso é reflexo direto da falta de preparação profissional que os professores no modo geral passam, dentro das universidades e especializações, mestrado e afins.

            Ironicamente, cursos clássicos de formação de professores não são garantias de que o docente consiga lecionar como um retórico impecável. E nem sempre a responsabilidade é da grade curricular. É necessário observar criticamente um pouco mais além essa realidade.

            O ser humano é complexo, isso todos nós sabemos, entretanto é na atualidade que se questiona as práticas eficazes de ensino que venham gerar uma gama de aprendizado. E por mais que o método seja sucesso em outras escolas, não é garantia que será em sua sala. Tudo isso porque é necessário levar em conta o aspecto biológico, neurológico e psicológico do indivíduo.

            A neuropedagogia é um campo que une a neurociência à pedagogia, trazendo maiores respostas para problemas de aprendizagem e jogando luz sobre questões que antes acreditava-se ser resultado de uma boa prática docente. De técnicas eficazes de ensino. Ao mesmo tempo, recorro a necessidade de uma maior reflexão e criticidade sobre os “laudos” e diagnósticos que muitas crianças e jovens recebem, sendo eles meio para se adaptar um trabalho pedagógico e não destinar aquele indivíduo a ignorância perpétua.

            É necessário que o professor regente, saiba e tenha compreensão do funcionamento do cérebro, para que então possa estimular adequadamente seus alunos em sala ou ainda adaptar seu ensino de forma que o aprendente consiga assimilar, acomodar o saber dentro de si. Não se trata de facilitar, ou ainda criar modismos na educação para que o aluno simplesmente seja aprovado. Mesmo que saibamos que para muitos Gestores Públicos da Educação o importante é a quantidade e não qualidade.

            O professor regente, conhecedor do campo da neuropedagogia, conseguirá entender que há um processo adequado para um tipo de aprendizagem. Não basta simplesmente conhecer todos os estágios que Jean Piaget apresentou. É preciso colocar em prática. Agir e catalogar resultados. É necessário ser Pedagogo (professor), aquele que conduz ao conhecimento, provoca e incita a dúvida. E não simplesmente trabalhar conteúdo porque a Instituição lhe deu prazos e normas para isso. Ou evocar seu diploma como Professor, Especialista, Mestre, Doutor como se isso por si só fosse garantia de sucesso no processo de ensino e aprendizagem.

            Conhecer o funcionamento do cérebro, suas normatizações e funções, possibilita maior amplitude no planejamento e expectativas mais assertivas quanto á aprendizagem.

            Se trata portanto, não apenas de aquisição nova de conhecimento. Mas de conscientização dos mecanismos cerebrais e suas lógicas consequências na cognição do aluno. Por exemplo, um professor que detém informações sobre o Lobo Frontal do cérebro, sabe que se a criança ou jovem apresentar dificuldades na coordenação motora, memória, esgotado as mudanças metodológicas necessárias e outras técnicas deverá ser encaminhado para especialista, a fim de possa haver uma investigação de possíveis patologias nessa área do cérebro.

            O pleno saber do processo sináptico,  também provoca mudanças comportamentais do professor. Estimular fixação de memória a longo e curto prazo, proporcionando ambiente que incentive a o desejo e motivação pela aprendizagem, se torna muito mais do que praticar ou não uma metodologia de ensino do momento. Mas também garantir que a patologização da educação não ganhe espaço. No blog “Neurociência benefício à Educação”, encontra-se a seguinte afirmação: “A cada nova experiência do indivíduo, redes de neurônios são rearranjadas, outras tantas sinapses são reforçadas e múltiplas possibilidades de respostas ao ambiente tornam-se possíveis.” (Michael Merzenich).  Trata-se de plasticidade cerebral. Se para uma determinada atividade, o indivíduo não consegue realizar adequadamente é necessário estimular sinapse que são informações transmitidas entre os neurônios, através dos neurotransmissores, que vão amenizar ou até mesmo sanar essa necessidade. Já se sabe que atividades físicas, leituras, interação com materiais concretos, estimulam a produção neurônios e com isso sinapse, neurotransmissores, concluindo a aprendizagem de um determinado objeto de estudo.

Finalizo, conclamando todos os profissionais da educação, uma atenção especial às neurociências, e suas constantes contribuições no campo educacional. A ciência está em contínuo avanço. E nós educadores não podemos nos omitir quanto a essas transformações científicas.

 

Marcelo Luiz de Resende, Pedagogo, Licenciado em História, Psicopedagogo, Especialista em Pedagogia Empresarial e MBA em Coaching.

 

Sites consultados:

https://drauziovarella.com.br/drauzio/artigos/plasticidade-cerebral/

http://www2.uol.com.br/vivermente/noticias/o_cerebro_se_transforma_quando_aprendemos.html

http://psicoativo.com/2016/06/neurotransmissores-tipos-funcoes.html

http://www.galenoalvarenga.com.br/publicacoes-livros-online/o-poder-das-emocoes/noradrenalina-dopamina-e-serotonina

https://www.infoescola.com/bioquimica/dopamina/