Psicopedagogia

Neuropsicomotricidade.

Neuropsicomotricidade.

O lugar do corpo no mundo possui um destaque na verdade ligado à vida com atividades físicas, de maneira que nos remeta ao estereótipo da virilidade dos guerreiros espartanos por exemplo, mas nesse paradoxo, a saúde emocional como um todo nem sempre acompanha essa tonicidade muscular.

            A princípio, o corpo que retrato nesse texto, refere-se ao sujeito, ao ser como todo. Obviamente inclui o que foi citado no primeiro parágrafo, entretanto ao darmos voz aos estudos da área da motricidade, terminamos por ressaltar um campo que geralmente, mesmo na educação, não tem sido valorizado como se deveria

A motricidade é o estudo dos movimentos, das ações, do pensamento transformado em ação. Unindo a outras terminologias como psicomotricidade, inclue-se uma visão psicológica dos movimentos, começamos  portanto colocar em prática a afetividade Walloniana numa perspectiva fundamentada. Assim como respaldo de diversos outros teóricos, Piaget por exemplo.

Ao passo que, incluímos também o prefixo “neuro” à palavra psicomotricidade, abrangemos ainda mais o campo da motricidade, que já nos traz uma interdisciplinaridade na combinação de conceitos, conhecimentos, aplicados ao processo de aprendizagem .

De fato, o que mais chama atenção nos estudos da motricidade, é  a possibilidade de compreendermos o homem, não apenas encerrado ao conceito intelectual, mas de maneira global, em sua totalidade.

A pessoa que dá vazão ao corpo, e o encara como espaço de aprendizagem, liberdade e expressão, tem muito mais oportunidade de desenvolver adequadamente seu processo de aprendizagem. Pois é da motricidade a capacidade de incentivar todo o organismo para um metabolismo saudável, biologicamente e de maneira psíquica. Uma criança que brinca, tem espaço garantido em seu universo para fantasias corriqueiras da idade, estimula suas sinapses e promove maiores probabilidades de retenção na memória e com isso a mudança no comportamento será nítido, pois, segundo Behaviorismo, a aprendizagem é uma mudança de comportamento, podendo aprimorá-lo ao longo de seu desenvolvimento humano.

Nesse contexto, é importante citar a teoria da Inteligência Emocional, cunhada por Golleman.

A neuropsicomotricidade, é um campo onde a educação reconhece a completude do aluno. Assim como Howard Gardner nos propõe a teoria das inteligências múltiplas, podemos encontrar nessa teoria a inteligência espacial, cinestésica diretamente ligada a motricidade. Sem dizer que outras estão diretamente fundamentadas por ela, de acordo com os estudos psicomotores.

O corpo fala, através de linguagens próprias, da expressão de sentimentos e da percepção das ações, intencionais ou não. O corpo fala através da música, da dança, da arte e da cultura em geral.

O lúdico, o brincar e o fantasiar tem hoje o reconhecimento do campo da psicomotricidade.

Pelo ato de brincar, a criança fantasia, se socializa,  se estimula portanto se desenvolve.

A neuropsicomotricidade é um campo de estudos que trata corpo, sujeito e suas particularidades. Permitindo ao professor da Educação Intantil  e Anos Iniciais do Ensino Fundamental  noção do aluno em seu universo biológico, sociológico, psicológico e cognitivo. Como um ser individual e único na composição desse corpo.

A partir desse ponto é possível compreender algumas dificuldades de aprendizagem que surge ao longo da vida escolar do aluno. Lembrando que movimentos, corporeidade não devem ser visto especificamente na Educação Infantil e anos iniciais do Ensino Fundamental. Mas durante toda a trajetória do homem. Onde houver um movimento, ele estará disponível para contribuir para expansão do seu “eu”, dos seus sentimentos.

Tornar a vida mais estimulada às ações físicas, também é responsabilidade do campo da neuropsicomotricidade. Mas não só dela.  Investigar sempre possibilidade de se amenizar uma dificuldade de aprendizagem que pode contar com inúmeras causas. E dependendo do trabalho realizado dentro desse campo do saber, consegue-se compreender tais dificuldades.

Partindo, portanto do conceito de psicomotricidade, apresentada pela SBP – Sociedade Brasileira de Psicopedagogia, temos “é a ciência que tem como objeto de estudo o homem através do seu corpo em movimento e em relação ao seu mundo interno e externo. Está relacionada ao processo de maturação, onde o corpo é a origem das aquisições cognitivas, afetivas e orgânicas”.

            Fundamentando o que foi redigido ao longo do texto, as escolas e outras instituições, no passado e até mesmo no presente, não deram atenção que o corpo merece. Sendo ele o principal aspecto para que todo os outros processos cognitivos aconteçam de maneira eficaz.

Em tempo, é importante frisar os fatores psicomotores que encontramos nesse campo, tais como: tonicidade, equilíbrio, lateralidade, noção corporal, estruturação espacial e temporal, práxia (coordenação motora) global e coordenação motora fina.

De acordo com Dantas (1992), o aspecto da afetividade, núcleo da teoria de Wallon, fundamenta o criterioso aspecto do estudo da psicomotricidade e aqui, unindo a neurociência á neuropsicomotricidade, embora não perdendo o conceito Walloniano de vista, muito pelo contrário, agregando-o ao nosso estudo acadêmico:

A afetividade, nesta perspectiva, não é apenas uma das dimensões da pessoa, ela é também uma fase do desenvolvimento, a mais arcaica. O ser humano foi, logo que se saiu da vida puramente orgânica, um ser afetivo.  Da afetividade diferenciou-se lentamente, a vida racional. Portanto, no inicio da vida, afetividade e inteligência estão sincreticamente misturadas com o predomínio da primeira.  (DANTAS, 1992, p.90)

           

Conclui-se, assim que o trabalho do psicomotricista, bem como a área da neurociência, traz seriedade e compromisso com a ciência, fundamentando aspectos motores e cognitivos numa mesma vertente, levando o humano como ponto central da expressão corporal, seja através de uma atividade sistematizada ou por brincadeiras dirigidas ou não. A real intenção e objetivo é estabelecer que brincar é ação séria realizada pela criança e ainda, pode-se dizer necessária.

 

 

Marcelo Luiz de Resende é Pedagogo, Especialista em Psicopedagogia. Estudante do campo da Neuropedagogia. Ministra aulas para formação de psicopedagogos e neuropsicopedagogos pelo Instituto Wallon em Goiânia – Go.

 

 

 

Bibliografia.

 

LA TAILLE, Yves de. OLIVEIRA, Marta Kohl de. DANTAS, Heloysa. Piaget, Vygotsky, Wallon: teorias psicogenéticas em discussão. Summus, São Paulo, 1992.

 

Artigo consultado  em 21 de novembro de 2017: http://www.seer.ufu.br/index.php/revextensao/article/viewFile/20527/10952

 

https://www.portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/esporte/sociedade-brasileira-de-psicomotricidade/37497 Acesso em 21 de novembro de 2017

 

https://www.portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/esporte/sociedade-brasileira-de-psicomotricidade/37497 Acesso em 21 de novembro de 2017.