Psicopedagogia

Bases Neurobiológicas da Aprendizagem.

Bases Neurobiológicas da Aprendizagem

           A aprendizagem humana tem muitas interfaces. É importante que o profissional da educação e todo profissional que vá lidar com o conhecimento possa ter noções básicas de que não há um fator responsável pelo sucesso ou não do processo de aquisição de aprendizagem do estudante.

            A aprendizagem acontece por mecanismos conhecidos, mas que são ressaltados dentro da perspectiva neurobiológica ou seja, o aprendente, independente da sua idade, segue processos biológicos, psicológicos e sociais que interferem profundamente nesse ciclo.

            Weiss (2012), ilustra em sua obra “Psicopedagogia Clínica – Uma visão diagnóstica dos problemas escolares”, que fatores externos, a aprendizagem na escola e aspectos internos do aluno, juntamente com a vida em sociedade integram o conjunto de interferências que vão proporcionar a conclusão do processo de aprendizagem de forma eficiente.

            Na verdade o que Weiss (2012) propõe, vai ao encontro da visão neurobiológica da aprendizagem e consequentemente do ensino nos apresenta: é importantíssimo que se veja o aprendente, independente de sua idade, como um ser que recebe influências internas e externas no contexto de seu ato de estudar. E, portanto, nesse interim, concluirmos que a hereditariedade, transtornos de aprendizagem, dificuldades de aprendizagem, mudam o curso do estudo do indivíduo. Cabe a Instituição Escolar adaptar, estimular adequadamente o sujeito a fim de que possam superar possíveis déficits naturais de sua composição biológica ou impositivos da sociedade.

            A neurociência devidamente aplicada à educação, traz enormes contribuições para esclarecimentos do fracasso escolar. Importante ressaltar que não se vê mais o aprendente como alguém que deve simplesmente aprender a ler e escrever, fazer contas. É necessário levar em consideração o funcionamento do cérebro. E sua essência na composição humana.

            Há neurotransmissores, que são moléculas presentes no cérebro conduzidas por sinapses neuronais, cujas diversas finalidades, entre elas a fixação da memória pela noradrenalina. Cujo estímulo pode ser feito por uma alimentação saudável, rica em vitamina, proteínas que estimulam a produção desse neurotransmissor, que facilita e fixa a memória que por sua vez retém informações necessárias para aprendizagem. A simples noção dessa informação, já é possível modificar completamente a forma como profissionais da educação veem o processo de aprendizagem sob uma ótica mais ampla e sem permitir que senso comum rotule ou fatalize a vida acadêmica do sujeito.

             Segundo Weiss (2012):

Diferentes problemas do sistema nervoso acarretarão alterações escolares, como disfasias, afasias, dislexias, TODA, TDAH e outros mais.

Na atualidade, já são identificadas diferentes síndromes orgânicas desde o nascimento  da criança e apontadas suas relações com a aprendizagem. O trabalho psicopedagógico poderá ser feio no momento oportuno para cada caso. ( WEISS, 2012, p.27)

          Fundamentando na autora, percebe-se que um ensino interdisciplinar, com uma amplitude de possibilidades para amenizar dificuldades de aprendizagem se torna mais eficiente do que simplesmente reprovar, punir ou excluir quem apresenta alguma dificuldade ou transtorno no ato de aprender.

           Segundo Nogaro em seu artigo “Neurociência, formação de professores e Práticas Pedagógicas”,

A pergunta “como funciona o cérebro?”, que há muitos anos o homem vem se fazendo começa a ser respondida com o auxílio de novos equipamentos e da revolução biológica e hoje agrega conhecimento que já se constituem em suportes para o desenvolvimento do trabalho do professor. Sabemos que tudo isso é bastante recente e novo, gerando insegurança e relativa ausência de confiança na área, orém não se pode ignorar estes progressos e agir de maneira indiferente ao que está acontecendo  no cenário contemporâneo. (NOGARO, 2012)

            Fundamentado em Nogaro (2012), conhecer o funcionamento do cérebro e todo o processo biológico, termina por possibilitar ao professor a importantes ferramentas que irão aprimorar seu trabalho.

            Teóricos da área da psicopedagogia, como Alícia Fernandez e Sara Pain, nos proporciona excelentes reflexões sobre possíveis causas do sujeito não aprender.

            Fernandez, por exemplo, em sua obra “Inteligência Aprisionada” nos relata diversos fatores que podem aprisionar o saber. Desde fatores internos do aprendente ao desejo latente da família sobre o indivíduo. Assim como Weiss, há de se perceber que aprender ou não, pode estar muitas vezes no contexto geral da vida do aprendente do que simplesmente nele próprio. Muito mais do que encontrar o fator que impede o saber, é necessário se pautar na função da ignorância, como Pain aborda em seu trabalho: até mesmo não aprender tem um significado profundo no sujeito. É necessário portanto uma ressignificação do papel do conhecimento na história do indivíduo.

            Reconhecer o universo da neurociência, do emprego do papel crucial das estruturas orgânicas no processo de ensino e aprendizagem  proporciona o seguinte saber

A possibilidade que o cérebro tem de se recompor e revitalizar (neuroplasticidade) abre outras oportunidades na educação: a criança e o adolescente ainda não aprenderam mas poderão aprender. Há sempre novas portas e possibilidades se abrindo. Esta concepção dinâmica do cérebro reposiciona a postura e o trabalho do professor porque nada é definitivo, podendo-se chegar a resultados cada vez melhores a partir de ambientes, “metodologias e didáticas” diferentes. (NOGARO, 2012)

            Conclui-se portanto, que conhecimento neurobiológico é um campo interdisciplinar que percebe o ser humano com múltiplas possibilidades de aprendizagem. Sempre e a todo momento, basta que haja motivação, estímulo e desejo próprio.

 

Referencial Teórico.

WEISS, Maria Lúcia Lemme. Psicopedagogia Clínica – Uma visão diagnóstica dos problemas de aprendizagem escolar. Lamparina, Rio de Janeiro, 2012.

NOGARO, Arnaldo. Neurociência, Formação de Professores e Práticas Pedagógicas. Disponível em: www.webartigos.com/neurociência-formacao-de-professores-e-praticas-pedagogicas/90118/

FERNANDEZ, Alícia. Inteligência Aprisionada. Artmed, Porto Alegre, 1991.

PAIN, Sara A função da Ignorância. Artmed, Porto Alegre, 1999.

 

Marcelo Luiz de Resende, Pedagogo, especialista em Psicopedagogia, Pedagogia Empresarial, Tutoria em Educação a Distância e MBA em Coaching. É formador de psicopedagogos e neuropsicopedagogos no Instituto Wallon em Goiânia.