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Neuropedagogia.

                       Teorias do desenvolvimento e da Aprendizagem – Uma visão da neurociência sobre educação.

 Teorias do desenvolvimento da aprendizagem no campo da neurociência é uma constatação científica, fundamentada na evolução neurológica, psíquica e social.

            O indivíduo passa por várias transformações orgânicas até a sua fase adulta e mesmo depois desse processo ainda há outras mudanças que ocorrerão até o final da vida do homem. Nesse tempo, mudanças cognitivas, mudanças comportamentais são identificadas pela transição de uma etapa para outra, mas não de forma radical. Não se pode esperar que uma criança com 6 anos de idade já tenha a maturação orgânica de um momento para o outro. Tudo na vida humana é gradativa, porém suas estagnações merecem observações mais rigorosas como a dificuldade de aprendizagem de um indivíduo em qualquer momento da sua vida acadêmica.

            Jean Piaget, classificou o desenvolvimento do ser humano em estágios, que variam entre sensório motor e operatório concreto, por exemplo. Em cada estágios uma característica própria que determina o que se espera do indivíduo naquele momento.

Assim como Piaget, Wallon, outro epistemólogo que contribuiu profundamente para a educação, no que diz respeito ao desenvolvimento humano, nos traz perspectivas da afetividade no processo de aprendizagem do homem.

Freud, o pai da Psicanálise também contribuiu mesmo que não diretamente para educação, com a teoria do desenvolvimento psíquico. Ele é considerado o pai da psicanálise. Sua teoria modificou não só a psicologia e psiquiatria, mas também trouxe reformulações na forma que a Instituição Escolar e a família vê a criança.

Na psicanálise, também compreende o sujeito através de processos, períodos ao longo da vida. A energia sexual, a libido, tem papel fundamental na aquisição de conhecimento, assim como teorias da angústia, medo da morte, a pulsão pela vida. Tais energias psíquicas são responsáveis também pelo desejo de aprender. Ressalto nesse ponto que a palavra desejo, sexualidade, tem conotações muito mais complexas do que estamos rotineiramente acostumados a entender.

O desejo por aprender, o significado da aprendizagem na vida desse indivíduo vai dizer muito sobre sua aquisição de conhecimento, da sua capacidade de reter informações e colocá-las em prática, porém não se trata apenas dessa questão para identificar possíveis transtornos e dificuldades de aprendizagem. Há outros fatores que devem ser levados em consideração, como a vida social, a genética, entre outros importantes pontos.

Há dentro do campo de aprendizagem, uma teoria que trouxe mudanças significativas para o conceito de aprendizagem humana, na verdade ampliou-se o conceito de inteligência. Trata-se da teoria das inteligências múltiplas de Howard Gardner. Nessa teoria, Gardner amplificou a inteligência do homem além da verbal-linguística e Matemática. Classifica que temos também a inteligência interpessoal, intrapessoal, musical, cinestésica, espacial, naturalista e fala-se hoje de outras inteligências como a existencialista e naturalista. O que já nos indica que conceitos de Inteligência, que são fundamentais para parâmetros de aprendizagem não mais correspondem somente a duas áreas mais comuns, inclusive testadas e quantificadas no teste de QI, quociente intelectual, entretanto é imprescindível que todas as inteligências citadas por Gardner sejam devidamente estimuladas. Ou corre-se o risco de sua estagnação.

Independente da teoria do desenvolvimento humano abordado e da proposta de aprendizagem seguida, concomitantemente, conclui-se que o ser humano possui uma vasta gama de possibilidades de aprendizagem e que devem seguir parâmetros cientificamente fundamentados.

A aprendizagem é vista de forma mais dinâmica quando inseridos conceitos de desenvolvimento humano, de aprendizagem numa amplitude do campo da neurociência, isso denota o quanto é essencial levar para sala de aula, conceitos neurológicos incluídos no campo da pedagogia. Salientando assim que o desenvolvimento da aprendizagem se dá por múltiplos fatores. E não apenas com métodos e técnicas de ensino rotineiramente aplicados nas escolas. Segue a melhor proposta de ensino, aquela que é condizente ao processo do sujeito. Não importando a sua idade. Muito pelo contrário, levando em consideração todo o seu desenvolvimento, psíquico, genético, neurológico e social.

 

 

Texto de Marcelo Luiz de Resende – Professor Licenciado em Pedagogia e História, especialista em Psicopedagogia, Pedagogia Empresarial, Tutoria em Educação a Distância e MBA Em Coaching. Associado à ABPp-GO desde 2015. Consulte o catálogo disponível em: http://abppgo.com.br/index.php/goiania/