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A vida singular. A diversidade da existência.

Numa caixa de lápis há diversas cores. Eu posso não gostar de todas. Mas elas existem. Eu apenas respeito a cor existente. E mesmo que eu não goste do lilás, rosa ou vermelho. Eles continuarão existindo.  Então decido que não vou viver odiando uma cor que não gosto. Vou amar as outros que adoro.
A vida é singular. Ela é única. Um único momento que você tem parar refletir, repensar e agir diante dos fatos que norteiam sua caminhada. Tenho acompanhado muitas postagens de jovens adolescentes e outros não tão jovens, a respeito de diversas ideologias de vida, apoiando esse ou outro candidato ou possível candidato à presidência do Brasil. Discursos apaixonados, pessoas que não possuem nenhuma formação acadêmica de uma hora para outra se tornaram cientistas políticos renomados (não é preciso ter formação acadêmica sobre um assunto para  opinar, aqui eu ressaltei uma crítica: às redes sociais deram oportunidade a todos, inclusive quem não tem noção do que fala), porém nessa singularidade da vida encontro a diversidade imensa inclusa nela. Diversidade de raça, gênero, de pensamento, de orientação sexual, de política entre outras tantas faces da diversidade humana.  Como posso fechar os olhos para a diversidade da existência? Como negar a história de uma pessoa, de um ser humano que não se enquadra na sociedade dita normal. Esquecemos a história? O que já aconteceu ao longo da história da humanidade com as minorias ou povos que eram considerados menos “abençoados” do que outros? E nessa perspectiva que eu proponho uma reflexão: não se trata de dar privilégio para ninguém e nem se trata de verbalizar preconceito como forma de liberdade de expressão. Liberdade de expressão é você expor o que pensa sem disseminar ódio ou promover o preconceito seja a quem for… o que tem acontecido no Brasil ultimamente é um eco da história desde a abolição da escravatura, onde havia quem defendia arduamente que o País não devia libertar os escravos porque não teria mais mão de obra e aqueles que defendiam a liberdade não para escravos, mas para seres humanos em situação de escravidão. Eu sou fruto de um Brasil que foi erguido sobre o suor e vida de homens e mulheres  que sofreram com a escravidão. Eles não nasceram escravos. Acima de qualquer ideologia, está o ser humano. A injustiça maior é deixar meu preconceito falar mais alto e condensá-lo e disfarçá-lo de opinião. Há muita gente que não suporta negros ou gays e em nome de seu preconceito terminam por defender essa ou aquela ideologia dizendo que o País precisa parar de vê-los como vítimas e não dar privilégios. E o que é pior, tenho visto jovens compartilhando essa  visão, denegrindo colegas, causando bullying, sofrimento e dor a pessoas por perto, tudo para provar que estão certo. Promovem pessoas que nem conhecem e não conseguem estender a mão ao amigo que sofre calado em casa porque é homossexual e a família não suporta a ideia de ter um filho(a) gay. O texto não é uma imposição. É uma oportunidade de pensarmos juntos: em nome de um candidato, em nome de uma pessoa, vale a pena passar por cima da humanidade de alguém? Há tantas pessoas que agora se acham prontas para irem a um canal no youtube e fazem uma lista de coisas que não aceitam, acreditando que levar alguém a ter uma ação contrária a um grupo de pessoas é o certo. Preciso sobretudo, partilhar sobre um vídeo, onde um youtuber colocava uma situação em que um aluno gay, brigou com a professora porque ele queria ficar sentado no colo de seu namorado e a professora impediu. O youtuber colocou como se isso fosse um atentado à professora. E uma jovem compartilhou o vídeo e na legenda ela escreveu: “nojo”. Olha, nem hétero e nem gay podem sentar no colo de namorados em sala de aula, muito menos se forem adolescentes. O problema é, a forma que foi colocado pelo locutor. Essa ação não é homofobia. É uma conduta de ordem da sala de aula. Homofobia é o que o rapaz em nome de sua ideologia levou a entender que é “nojento” um jovem querer sentar no colo de outro. Eu enquanto professor não permito que as moças sentem no colo dos seus colegas em sala de aula. Mas nem por isso faço um vídeo dizendo que isso é “nojento”.  Exageros há por toda sociedade e por todo grupo. Mas em vez de ditar normas e condutas, não seria o momento de pensarmos mais no próximo, em seu sofrimento. Em vez de julgar alguém, “porque eu não gosto disso”, ou “minha religião não permite”, não seria o momento de respeitar? Permitir o outro viver o que se tem pra viver. Ser o que se é.  A vida é curta, apesar de singular, a vida é breve. Não deixe que a riqueza dela se perca nos medos que possam existir dentro de você. A diversidade é o que nos faz lindos e únicos. Você é diferente de mim e eu de você.  A diversidade começa na singularidade.

Professor Marcelo Luiz, tem 37 anos é Psicopedagogo e Licenciado em História.