A justiça de um País injusto.

Notícias sobre justiça a qualquer custo e festas que mais que parecem ter saído de uma série que trabalha a questão racial e outros preconceitos, me levaram a redigir esse texto. Uma pergunta que me angustia é o que leva pessoas a idolatrarem réus, acusados de matarem namorada e  seus pais? O que pensa ou o que passa pela cabeça de alguém ao pedir para tirar foto com assassinos dessa natureza? Nesses dois casos, não estou julgando, a justiça sistematizada já se encarregou desse papel. Entretanto, me incomoda o fato de que a mídia apenas divulgue e não cobre uma posição crítica. Claro, o papel da imprensa não é ser partidária no sentido de encontrar um lado para defender, isso quando não é conveniente para ela. O que chamo atenção aqui é para uma postura crítica, analítica e reflexiva diante das matérias e manchetes onde quer que ocorram. O Brasil, quer ser um País justiceiro, onde falta incentivo e investimento à Educação. Procura criminalizar aspectos tão corriqueiros ou culturais e deixa impune a ignorância dos cidadãos. De onde vem a justiça de alguns brasileiros? De onde vem os critérios de quem deve ou não deve ser amarrado em um poste, ser tatuado na testa ou ser condenado por ser ladrão, assaltante sem passar por um crivo de julgamento? Afinal em uma sociedade civilizada todos merecem um tratamento igual ou mais humano possível. O nosso Brasil há tempos passa por um crise, não apenas política ou econômica, mas uma crise humanitária. Crise humana. E não vou entrar aqui em méritos sociais e antropológicos. Mas dizer o que um País Educado e civilizado faria: educar seus patriotas. Seus cidadãos. No Brasil, não se consegue ter os anos iniciais do ensino fundamental da rede pública, leitor e escritor, não se consegue ter justiça para com os próprios governantes que afundam a imagem do País num lamaçal de corrupção, queremos projetar nos menos favorecidos a nossa ira, configurando ou demonizando os mesmos como se fossem a escória da sociedade e tatuando em sua testa, “ladrão e vacilão” estaremos redimindo a nação? Acredito que não. Falta incentivo à educação, sim e muito. Mas o que de pior está acontecendo em nosso Brasil é a polarização. Tudo é do bem ou mal. Isso ou aquilo. Se acontece alguém que demanda opinião ou polemiza, logo as redes sociais estão tomadas de frases do tipo: “se fosse o fulano não faria isso”. “Tem mesmo que tatuar o nome de ladrão na testa, ele roubou, ele é usuário de drogas”. Nem procuraram saber do que se tratava o acontecimento do rapaz e já julgaram, já condenaram e decretaram a pena: humilhação. Não estou defendendo bandido. Até porque para classificar alguém assim eu preciso de provas, preciso que algum especialista na área me convencer do fato. E se vamos começar a tatuar “ladrão” na testa de todos que tem praticado o ato, vai faltar tatuagem se for a Brasília, com os casos já comprovados é claro. Não quero fazer justiça através dessas linhas mas como professor e um cidadão que procura pensar, convido a uma reflexão: destruir a cracolândia resolveu o problema de São Paulo? Tatuar e humilhar, amarrar e chicotear já resolveu algum problema social? E me lembro bem quando meus avós me contavam que tinham dois cães, um grande e um pequeno. Todas as pessoas que passavam na porta da casa  os cães  latiam, mas só no cachorro menor que chutavam. Me deem licença à analogia aqui, tatuar e zombar de um rapaz que tem problemas psicológicos e é indefeso diante de dois caras mais fortes do que ele é fácil, quero ver tatuar  algum político, senador que já é comprovado a sua corrupção. Isso não quer dizer que quem rouba uma galinha, uma bicicleta ficará sem punição. Muito pelo contrário. Estou dizendo que se for para dar lição de moralidade, que comecemos por nós. Ora, onde há um ser humano, uma corrupção pode acontecer. E ela acontece, quando a gente terceiriza a justiça de acordo com nossos critérios. Ser juiz de um mundo de acordo com o nosso ponto de vista é fácil. Difícil é quando essa lei se volta contra nós mesmos. Afinal, atire a primeira pedra quem não tiver nenhum erro.
 
Texto elaborado pelo Professor Marcelo.